Captura de Maduro gera comemoração e incerteza entre venezuelanos em Juiz de Fora

  • 05/01/2026
(Foto: Reprodução)
Venezuelanos que vivem em Juiz de Fora acompanham crise no país de origem A repercussão da ofensiva militar dos Estados Unidos na Venezuela e a captura do presidente Nicolás Maduro chegou a Juiz de Fora, cidade que abriga a maior comunidade de imigrantes venezuelanos da região. A ação, ocorrida na madrugada do último sábado (3), resultou na prisão de Nicolás Maduro e da esposa, Cilia Flores. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Zona da Mata no WhatsApp Nesta segunda-feira (5), Maduro participou da primeira audiência em Nova York, onde se declarou inocente e afirmou ser um 'prisioneiro de guerra'. Diante do cenário de instabilidade, o g1 conversou com imigrantes que vivem no município mineiro para entender as expectativas de quem deixou o país vizinho. LEIA MAIS: O que se sabe sobre a captura de Maduro e o ataque dos EUA à Venezuela Reação dos imigrantes Giurka Rivas de García com a família Arquivo Pessoal/Divulgação Segundo dados do painel da Polícia Federal, Juiz de Fora tem atualmente 3.141 imigrantes registrados. O grupo da Venezuela é o mais numeroso, com 1.651 pessoas no município, seguido por portugueses (242), colombianos (215) e americanos (106). A venezuelana Giurka Rivas de García, de 60 anos, mora em Juiz de Fora desde 2019. Ela relatou que a notícia da prisão de Maduro foi recebida com entusiasmo pela família, que vê no antigo governo um regime autoritário. “Eu e a família recebemos a notícia com alegria, porque essa pessoa é um ditador que cometeu muitos erros na Venezuela”, afirmou Giurka, que atualmente busca colocação no mercado de trabalho por meio de cursos de costura. Apesar da comemoração, Giurka disse que teme o que pode acontecer com o país e com familiares que permaneceram na Venezuela, como a mãe e a irmã. “Tenho medo de que entre alguém pior e que a situação se agrave em relação ao que estava antes. Quero que todos os responsáveis sejam julgados pelo dano que causaram”, completou. Já a venezuelana Belinda Guerra, de 41 anos, vive em Juiz de Fora desde 2019. Conforme ela, a notícia foi recebida com felicidade, mas também com receio. “Feliz, mas ainda falta muita coisa por acontecer, já que ainda existem pessoas socialistas e chavistas. Acredito que todo venezuelano sente ansiedade. Tememos o início de uma guerra”, disse. Imigrante venezuelana Belinda Guerra, de 41 anos Arquivo Pessoal/Divulgação O venezuelano Carlos Eduardo Sosa Morffa, que trabalha como cozinheiro em Juiz de Fora, relatou sentimento semelhante. "Foi uma mistura de emoções, mas principalmente alegria. Para nós, é a sensação de que a justiça começa a ser feita e de que existe uma luz no fim do túnel para a Venezuela", afirmou. Análise internacional Apesar da repercussão política, especialistas apontam que a forma como a ofensiva foi conduzida gera controvérsias jurídicas. Em entrevista à TV Integração, o advogado especialista em Direito Internacional Maurício Ejchel destacou que a ação envolve interesses estratégicos sobre o petróleo venezuelano. "Se formos analisar com base nas convenções e nos entendimentos internacionais, percebemos que não se trata de um ato considerado legítimo. Foi uma ação realizada pela força, com base em grande potencial militar, sem declaração formal de guerra. Portanto, não houve apoio do Congresso norte-americano e, em relação às leis de direito específicas, a ação não é constitucional", explicou. De acordo com o especialista, a mudança no cenário político pode acelerar investimentos americanos não apenas na extração, mas também no beneficiamento do petróleo em solo venezuelano. Situação atual Nicolás Maduro chega ao Tribunal Federal de Nova York para audiência Shannon Stapleton/Reuters Com a retirada de Maduro do poder, o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela determinou que a vice-presidente Delcy Rodríguez assuma a presidência interina por 90 dias, para garantir a 'continuidade administrativa'. As Forças Armadas da Venezuela, por meio do ministro da Defesa, Vladimir Padrino, reconheceram a liderança de Rodríguez no último domingo (4). Paralelamente, o presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que o país norte-americano está 'no comando' da situação, enquanto monitora a transição em Caracas. VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes

FONTE: https://g1.globo.com/mg/zona-da-mata/noticia/2026/01/05/captura-de-maduro-gera-comemoracao-e-incerteza-entre-venezuelanos-em-juiz-de-fora.ghtml


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